quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

"Vasco e Mangueira: Tradição e Título"

Gigante-e1454535497750.jpg (566×416)

“O Mais Charmoso do Brasil”

Inspirado em um texto do amigo Ralph Dutra, resolvi escrever sobre a origem da paixão pelo “esporte bretão”.

Sou um rapaz do interior e assim como a maioria dos meninos da minha época, tinha o meu time de coração e discutia de forma sadia por toda Miracema.

Dei sorte de nascer na época em que o time do Itaperuna disputava a primeira divisão do Campeonato Carioca. Desta forma, aguardava ansiosamente pelo jogo do Club de Regatas Vasco da Gama no estádio Jair Bitencourt, para desde 1987 acompanhar o time com meu pai e amigos.

Na cidade vizinha, vi de perto Romário, Tita, Mazinho, Edmundo, Juninho, Felipe, Roberto Dinamite e outros craques. Tenho como fatos marcantes na minha memória, um gol de Roberto Dinamite de cabeça em 1992, dois ou três gols do Jardel de cabeça, um gol em que o folclórico goleiro Pacato tinha a bola perto, mas não contava com a velocidade de Edmundo, que chegou antes, o driblou e fez o gol da virada em um jogo difícil.

Alguns vascaínos da minha cidade se gabavam pelo fato do time ser o único que nunca sequer empatou com o time do Itaperuna, tendo vencido todos os jogos, que não eram fáceis, haja vista que até o Flamengo do Zico já derrapara por lá.

Se tal estatística é verdadeira ou não, pouco me importa. E se os jogos eram épicos e grandiosos no Jair Bitencourt, importa menos ainda. Na minha mente, eram partidas fantásticas e que deixavam em êxtase o menino apaixonado pelo time da cruz de malta.

Certamente, ter a sorte de acompanhar de perto, fazia com que crescesse o amor pelo time e rendia muitas histórias na “Rua do Mercado” e escola, que eram os principais redutos em que discutia, brincava com amigos e dizia que meu time era o melhor.

Com o crescimento, consegui convencer meu pai a me levar no Maracanã. Em Outubro de 1995, me surpreendo com duas passagens da Autoviação 1001, com destino a Niterói, comprada para assistirmos um Vasco x Flamengo.

Me tornei o menino mais feliz do mundo naquele dia. Infelizmente, o ônibus estava com problema na porta do banheiro, parava em todas as cidades e fui acometido com uma febre de mais de quarenta graus. Ao chegar à cidade, na véspera do jogo, a febre não cedia e para piorar, chovia muito, o que fez com que meu pai não me levasse na partida. Frustrado, voltei para Miracema sem assistir no grandioso palco o empate de 1 x 1, com gols de Djair para o Flamengo e Marcelo Carioca para o Vasco.

No ano de 1997, já com 14 anos, mais uma vez fui surpreendido por meu pai, que aceitou me levar ao Maior do Mundo. Era a final da Taça Guanabara contra o Botafogo, que acabou sendo o campeão com um gol de Gonçalves.

Contudo, o placar foi o menos importante. O menino que achava os jogos em Itaperuna grandiosos ficou sem reação ao entrar em um Maraca com 90.000 pessoas. Mesmo com a derrota, saiu cheio de história para contar e sonhava com toda a festa proporcionada por um estádio que ainda tinha alma, fazia brilhar os olhos de todos os apaixonados por futebol e era imponente.

Acho que os “entendedores” de marketing que adoram falar em fim do Carioca, não entendem nada de rivalidade e nem sabem que a paixão do torcedor é o produto mais importante de um clube.

Se os clubes pressionassem a Federação para que o Carioca tivesse menos times disputando a primeira divisão, com os pequenos jogando mais durante o ano e mais jogos decisivos acontecessem, certamente o futebol ganharia.

Mas, enquanto a dupla Fla Flu apenas se interessa em tumultuar um Campeonato em que estão entre os quatro protagonistas, em São Paulo recebem muito mais de cotas de TV e os grandes dão visibilidade aos menores, que faz com que cresçam cada vez mais.

Antes que me perguntem, respondo que sou a favor de acabarem com a FFERJ e a CBF. Só não posso aceitar que apenas mudem os caciques e entreguem as coroas para Perrelinhas, Andrés, Delfins e afins.

Torço que este torneio amistoso sem critério técnico cresça e não acabe com os Estaduais. Pelo contrário. Deve utilizar as colocações nos Campeonatos como critérios para disputa. E por qual motivo, não vi reportagem alguma acerca dos últimos públicos do torneio que já teve quilo de alimento como ingresso? Será que a Globo é boba ao obrigar a dupla colorida a utilizar seus titulares no Carioca? Dezesseis pontos de ibope do Vasco na estreia contra um time pequeno quer dizer alguma coisa?

Sócio Torcedor 

O Vasco após injustificável atraso lançou o seu programa de sócio torcedor, denominado “Gigante”. A administração será da empresa “FutebolCard”, a mesma responsável pelo programa do Palmeiras, considerado o melhor do Brasil.

É a chance do torcedor vascaíno ajudar o clube e ainda contar com diversos benefícios que podem compensar o valor mensal pago. Mais uma vez, a imprensa preferiu dar ênfase a uma declaração do presidente Eurico Miranda, de que não teria direito a voto, pois o brasileiro não sabe votar.

Trata-se de uma lamentável declaração, mas que somente expõe a opinião do dirigente, que não diferencia da dos outros times (inclusive o Flamengo).

Para exercer o direito de voto no Palmeiras é preciso desembolsar R$ 50.000,00 ou R$ 6.000,00, além  de mensalidades que variam entre R$ 70,00 e R$ 130,00.

Para votar no que se diz mais popular, em um dos planos precisa desembolsar R$ 10.350,00 e mensalidades de R$ 109,00. Se não quiser pagar o exorbitante valor de entrada, pode realizar um depósito de R$ 7.200,00 e parcelas de R$ 218,00. Caso não queira pagar significativa quantia de entrada, pode votar com plano de mensalidades no valor de R$ 152,00. Contudo, na última hipótese, somente terá direito a voto se adimplir a quantia durante três anos ininterruptos.

Se a intenção for de se associar ao Vasco com direito a voto, precisa desembolsar R$ 1.500,00 e 13 mensalidades ininterruptas de R$ 60,00. Isso é ser antidemocrático?

Tumultuar o clima na Colina e se desfazer de tudo que parte do clube de São Cristóvão, já faz parte da “isenta” imprensa esportiva brasileira. O que não pode é o torcedor cruzmaltino se deixar levar por isso. Vários planos estarão à disposição a partir do dia 28/03/2016, com preços para todos os bolsos, tanto para o que reside no Rio quanto para o que está longe da Capital.

Somente um clube que possui estádio pode oferecer descontos ou entradas inclusas nos planos para os jogos em casa. Causa espanto planos de times que oferecem tais benefícios sem nem saberem os locais em que jogarão...
Independente de gostar ou não do Presidente, o torcedor não pode se influenciar por quem só quer colocar o Vasco no papel de coadjuvante. Se possui condições, escolha o plano que melhor se encaixe em seu perfil e faça parte da volta por cima do Bi Campeão Carioca de 2016.   

Personagem da Semana

Durante anos, o carnaval carioca se tornou um jogo de interesses, em que as Escolas de Samba vendiam seus enredos e a que investia mais se tornava a campeã.

Eis que em 2016, com a crise que assola o País, as agremiações não receberam vultuosas quantias para se venderem. O que se viu na Sapucaí não foi um desfile pobre. Pelo contrário! Enredos e sambas que não se via durante muito tempo, com Mangueira, Portela, Salgueiro, Unidos da Tijuca e outras escolas empolgando os presentes no sambódromo e telespectadores.

A gafe ficou por conta da Rede Globo, que como já fez no ano passado, cortou grande parte do desfile da primeira a desfilar em cada dia, para não “perder” tempo no “essencial BBB”. Até aí, nenhuma novidade.

Ocorre que, além do atraso no começo da apresentação da Vila Isabel, que trazia a luta e história de Miguel Arraes em seu enredo, deixou de transmitir grande parte de seu desfile final, para mostrar um pré-aquecimento da Salgueiro. Nem mesmo seus apresentadores entenderam.

Com todos os méritos, a Mangueira de Cartola, Jamelão, Chico Buarque e agora de Maria Bethânia, se torna a campeã de 2016. No momento em que a grana fica curta, tradição e escolas que possuem o DNA do samba fazem a diferença.

Viva a Mangueira e a personagem da semana: filha de Dona Canô, irmã de Caetano. Explode coração, Maria Bethânia!

4 comentários:

  1. Excelente primeira parte, emocionante! Para acsegunda... So uma pergunta: acha mesmo q da p comparar a mensalidade de um clube encracado na lagoa rodrigo d freitas c outro encravado na favela barreira do vasco?! Sem mais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se o problema for este, o Vasco tem a sede na Lagoa e outra no Calabouço. Mas, não quero que a mensalidade do Vasco seja superior a do Flamengo. Só quis dizer que o argumento da imprensa de que o programa de Sócio Torcedor do Vasco, não é válida. Abs

      Excluir
  2. Excelente texto. Lembro-me bem de quando você veio para o rio ver vasco x flamengo e ficou com febre. Sobre o sócio torcedor, vamos torcer para dar certo. Abs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fiquei hospedado na sua casa, Daniel. Mas, no ano de 1997 assistimos juntos o título brasileiro. Casaca!

      Excluir