“O
Mais Charmoso do Brasil”
Inspirado em um texto do
amigo Ralph Dutra, resolvi escrever sobre a origem da paixão pelo “esporte bretão”.
Sou um rapaz do interior e assim
como a maioria dos meninos da minha época, tinha o meu time de coração e
discutia de forma sadia por toda Miracema.
Dei sorte de nascer na época
em que o time do Itaperuna disputava a primeira divisão do Campeonato Carioca.
Desta forma, aguardava ansiosamente pelo jogo do Club de Regatas Vasco da Gama
no estádio Jair Bitencourt, para desde 1987 acompanhar o time com meu pai e
amigos.
Na cidade vizinha, vi de
perto Romário, Tita, Mazinho, Edmundo, Juninho, Felipe, Roberto Dinamite e
outros craques. Tenho como fatos marcantes na minha memória, um gol de Roberto
Dinamite de cabeça em 1992, dois ou três gols do Jardel de cabeça, um gol em
que o folclórico goleiro Pacato tinha a bola perto, mas não contava com a
velocidade de Edmundo, que chegou antes, o driblou e fez o gol da virada em um
jogo difícil.
Alguns vascaínos da minha
cidade se gabavam pelo fato do time ser o único que nunca sequer empatou com o
time do Itaperuna, tendo vencido todos os jogos, que não eram fáceis, haja
vista que até o Flamengo do Zico já derrapara por lá.
Se tal estatística é verdadeira ou não, pouco
me importa. E se os jogos eram épicos e grandiosos no Jair Bitencourt, importa
menos ainda. Na minha mente, eram partidas fantásticas e que deixavam em êxtase
o menino apaixonado pelo time da cruz de malta.
Certamente, ter a sorte de
acompanhar de perto, fazia com que crescesse o amor pelo time e rendia muitas
histórias na “Rua do Mercado” e escola, que eram os principais redutos em que
discutia, brincava com amigos e dizia que meu time era o melhor.
Com o crescimento, consegui
convencer meu pai a me levar no Maracanã. Em Outubro de 1995, me surpreendo com
duas passagens da Autoviação 1001, com destino a Niterói, comprada para
assistirmos um Vasco x Flamengo.
Me tornei o menino mais
feliz do mundo naquele dia. Infelizmente, o ônibus estava com problema na porta
do banheiro, parava em todas as cidades e fui acometido com uma febre de mais
de quarenta graus. Ao chegar à cidade, na véspera do jogo, a febre não cedia e
para piorar, chovia muito, o que fez com que meu pai não me levasse na partida.
Frustrado, voltei para Miracema sem assistir no grandioso palco o empate de 1 x
1, com gols de Djair para o Flamengo e Marcelo Carioca para o Vasco.
No ano de 1997, já com 14
anos, mais uma vez fui surpreendido por meu pai, que aceitou me levar ao Maior
do Mundo. Era a final da Taça Guanabara contra o Botafogo, que acabou sendo o
campeão com um gol de Gonçalves.
Contudo, o placar foi o
menos importante. O menino que achava os jogos em Itaperuna grandiosos ficou
sem reação ao entrar em um Maraca com 90.000 pessoas. Mesmo com a derrota, saiu
cheio de história para contar e sonhava com toda a festa proporcionada por um
estádio que ainda tinha alma, fazia brilhar os olhos de todos os apaixonados
por futebol e era imponente.
Acho que os “entendedores”
de marketing que adoram falar em fim do Carioca, não entendem nada de
rivalidade e nem sabem que a paixão do torcedor é o produto mais importante de
um clube.
Se os clubes pressionassem a
Federação para que o Carioca tivesse menos times disputando a primeira divisão,
com os pequenos jogando mais durante o ano e mais jogos decisivos acontecessem,
certamente o futebol ganharia.
Mas, enquanto a dupla Fla
Flu apenas se interessa em tumultuar um Campeonato em que estão entre os
quatro protagonistas, em São Paulo recebem muito mais de cotas de TV e os grandes
dão visibilidade aos menores, que faz com que cresçam cada vez mais.
Antes que me perguntem,
respondo que sou a favor de acabarem com a FFERJ e a CBF. Só não posso aceitar
que apenas mudem os caciques e entreguem as coroas para Perrelinhas, Andrés,
Delfins e afins.
Torço que este torneio
amistoso sem critério técnico cresça e não acabe com os Estaduais. Pelo
contrário. Deve utilizar as colocações nos Campeonatos como critérios para
disputa. E por qual motivo, não vi reportagem alguma acerca dos últimos
públicos do torneio que já teve quilo de alimento como ingresso? Será que a
Globo é boba ao obrigar a dupla colorida a utilizar seus titulares no Carioca?
Dezesseis pontos de ibope do Vasco na estreia contra um time pequeno quer dizer
alguma coisa?
Sócio
Torcedor
O Vasco após injustificável
atraso lançou o seu programa de sócio torcedor, denominado “Gigante”. A
administração será da empresa “FutebolCard”, a mesma responsável pelo programa
do Palmeiras, considerado o melhor do Brasil.
É a chance do torcedor
vascaíno ajudar o clube e ainda contar com diversos benefícios que podem
compensar o valor mensal pago. Mais uma vez, a imprensa preferiu dar ênfase a
uma declaração do presidente Eurico Miranda, de que não teria direito a voto,
pois o brasileiro não sabe votar.
Trata-se de uma lamentável declaração,
mas que somente expõe a opinião do dirigente, que não diferencia da dos outros
times (inclusive o Flamengo).
Para exercer o direito de
voto no Palmeiras é preciso desembolsar R$ 50.000,00 ou R$ 6.000,00, além de mensalidades que variam entre R$ 70,00 e R$
130,00.
Para votar no que se diz
mais popular, em um dos planos precisa desembolsar R$ 10.350,00 e mensalidades
de R$ 109,00. Se não quiser pagar o exorbitante valor de entrada, pode realizar
um depósito de R$ 7.200,00 e parcelas de R$ 218,00. Caso não queira pagar
significativa quantia de entrada, pode votar com plano de mensalidades no valor
de R$ 152,00. Contudo, na última hipótese, somente terá direito a voto se
adimplir a quantia durante três anos ininterruptos.
Se a intenção for de se
associar ao Vasco com direito a voto, precisa desembolsar R$ 1.500,00 e 13
mensalidades ininterruptas de R$ 60,00. Isso é ser antidemocrático?
Tumultuar o clima na Colina
e se desfazer de tudo que parte do clube de São Cristóvão, já faz parte da “isenta”
imprensa esportiva brasileira. O que não pode é o torcedor cruzmaltino se
deixar levar por isso. Vários planos estarão à disposição a partir do dia
28/03/2016, com preços para todos os bolsos, tanto para o que reside no Rio quanto
para o que está longe da Capital.
Somente um clube que possui
estádio pode oferecer descontos ou entradas inclusas nos planos para os jogos
em casa. Causa espanto planos de times que oferecem tais benefícios sem nem
saberem os locais em que jogarão...
Independente de gostar ou
não do Presidente, o torcedor não pode se influenciar por quem só quer colocar
o Vasco no papel de coadjuvante. Se possui condições, escolha o plano que
melhor se encaixe em seu perfil e faça parte da volta por cima do Bi Campeão
Carioca de 2016.
Personagem
da Semana
Durante anos, o carnaval
carioca se tornou um jogo de interesses, em que as Escolas de Samba vendiam
seus enredos e a que investia mais se tornava a campeã.
Eis que em 2016, com a crise
que assola o País, as agremiações não receberam vultuosas quantias para se
venderem. O que se viu na Sapucaí não foi um desfile pobre. Pelo contrário!
Enredos e sambas que não se via durante muito tempo, com Mangueira, Portela,
Salgueiro, Unidos da Tijuca e outras escolas empolgando os presentes no
sambódromo e telespectadores.
A gafe ficou por conta da
Rede Globo, que como já fez no ano passado, cortou grande parte do desfile da
primeira a desfilar em cada dia, para não “perder” tempo no “essencial BBB”.
Até aí, nenhuma novidade.
Ocorre que, além do atraso
no começo da apresentação da Vila Isabel, que trazia a luta e história de Miguel
Arraes em seu enredo, deixou de transmitir grande parte de seu desfile final,
para mostrar um pré-aquecimento da Salgueiro. Nem mesmo seus apresentadores
entenderam.
Com todos os méritos, a
Mangueira de Cartola, Jamelão, Chico Buarque e agora de Maria Bethânia, se
torna a campeã de 2016. No momento em que a grana fica curta, tradição e escolas
que possuem o DNA do samba fazem a diferença.
Viva a Mangueira e a personagem
da semana: filha de Dona Canô, irmã de Caetano. Explode coração, Maria
Bethânia!