O que
a seleção brasileira representa, hoje, para você? Você sacrificaria um programa para assistir a
um jogo da seleção na TV? Ou pagaria um preço maior do que o preço médio
praticado nos jogos decisivos do Brasileirão para assisti-la em um estádio?
Pois
bem, tenho feito esses questionamentos pelo que tenho visto e ouvido das
pessoas sobre a seleção e por sempre ter sido um amante incondicional da mesma. E podem acreditar, ainda sou. Apesar de reconhecer que esse amor está vivendo
períodos de crise. Sei que alguns vão querer arremessar pedras com os dizeres: “7x1”,
“Del Nero”, “Dunga”, e outros mais. Mas,
ao optar por escrever sobre a seleção, já sabia que correria esse risco. E
mais, juro que vou entender até as críticas mais duras. O que não quer dizer
que vá aceitá-las. Afinal, são duas
coisas bem distintas.
Não
sou um estudioso capaz de identificar o que falta para nossa seleção (além de
jogar bem, claro), mas hoje, minha maior vontade era saber o que falta para
trazer a seleção novamente para perto do povo e vive-versa. E nesse último caso
não diga que jogar bem bastaria, pois é mentira. Sempre há aquele reticente que faz questão de
diminuir o adversário, apontar que não valiam três pontos, ou algo do tipo.
Porém,
apesar de não ser um estudioso, como disse acima, gosto de futebol o
suficiente para dizer que sempre que penso sobre o assunto, uma alternativa logo
me vem à cabeça, que aliás já poderia ter sido aplicada na primeira rodada das
eliminatórias, uma vez que a derrota para o Chile era considerado um resultado normal
para a comissão técnica e uma vitória sobre a Venezuela era o placar a se
esperar até do nosso quinto time.
Para
explicar meu raciocínio preciso destacar antes o que todos já sabem: que o
torcedor brasileiro ama o futebol. Porém,
mais do que o futebol, o torcedor da terra tupiniquim ama o seu clube, para não
dizer o time de futebol do seu clube. Quer
uma prova, faça aquelas mesmas perguntas lá do primeiro parágrafo do texto para
um torcedor apaixonado de qualquer clube e verá que serão respondidas
positivamente se aplicadas ao time do coração daquele leitor.
E é
exatamente daí, dessa cartola, que pode surgir o coelho, todavia para retirá-lo seria necessária uma certa audácia, precisaria de um mágico renomado, alguém disposto
a deixar todo o picadeiro atônito, principalmente aqueles que financiam o
espetáculo.
Esse
coelho, na minha humilde opinião, seria uma seleção nacional, no sentido
literal da palavra, vez que convocada com base no Brasileirão e, graças às eliminatórias,
poderia jogar um jogo oficial em casa. Trataria-se de uma seleção que conhecemos, acompanhamos
e vemos jogando por aqui. Qual brasileiro que não gostaria? Ou você acha que um
Corinthiano, meio desiludido com a seleção, não pararia para assistir ao Jadson envergando a 10 no lugar do
Oscar. Ou um Santista, descrente depois da copa, que não se encantaria em ver o seu artilheiro, Ricardo Oliveira, no lugar do Hulck?.
Foi com
base nessa fórmula que pensei em uma seleção com os melhores do campeonato nacional. Ou você é um daqueles que considera o nível daqui muito baixo e que nossos craques não seriam capazes de representar a seleção canarinho no mesmo padrão da seleção montada
pelo Dunga (sem a presença do Neymar, claro)? E vou além. Não acha que esses jogadores que desfilam por nossos clubes, não aproximariam um pouco mais
os amantes do futebol à seleção? Ok. Tudo bem. Sei
que a coisa é muito mais complexa, mas estou trabalhando com ideias, se
plausíveis ou não, dependem de quem está no comando. E comando, hoje, na CBF,
todos sabemos que não existe. Ou existe?
Ainda
que não houvesse uma mobilização pela seleção em si, haveria um movimento pelos
seus selecionáveis, o que já geraria um efeito por tabela. Não é esse o
objetivo final, eu sei, mas já seria um meio interessante para se chegar ao
final pretendido.
Para
completar a ideia, nada mais justo que apresentar a minha seleção, ou melhor,
os meus selecionáveis para as 23 (vinte e três) vagas permitidas. Só que antes, mais uma
ressalva, o Botafogo não disputa o Brasileirão mas tem o melhor goleiro do
país, por isso tem jogador na lista:
Goleiro:
Jeferson (Botafogo), Vitor (Galo) e Cássio (Corinthians);
Lateral-direito:
Marcos Rocha (Galo) e Lucas (Palmeiras);
Lateral-
esquerdo: Marcelo Oliveira (Grêmio) e Jorge
(Fla);
Zagueiro: Jemerson (Galo),
Gil (Corinthians)
e Felipe (Corinthians), Marlon (Flu);
Volante:
Elias (Corinthians), Rafael Carioca (Galo), Gabriel (Palmeiras), Otávio (Furacão);
Meia:
Renato Augusto (Corinthians), Jadson (Corinthians), Lucas Lima (Santos), Valdívia (Inter);
Atacante:
Ricardo Oliveira (Santos), Fred (Flu), Dudu (Palmeiras),
Pato (São
Paulo)
Técnico:
Tite (Cortinthias)
Então pergunto: caso
essa ideia se tornasse viável, você teria mais vontade de acompanhar a seleção
com esses jogadores? Você não acha que esses jogadores teriam mais tesão em
vestir a “amarelinha” que aqueles que lá estão? Por fim, esses jogadores, na
sua opinião, ficariam devendo alguma coisa para aqueles convocados para os jogos
contra Chile e Venezuela?
Gostaria
de ouvir o que cada leitor pensa sobre o tema, principalmente para saber se
esse meu amor incondicional pela seleção estaria a provocar delírios, de modo a imaginar coisas malucas com a finalidade de prolongar essa relação já fadada ao insucesso...