"Poucas instituições serão tão abrangentemente nacionais quanto o Flamengo - a Igreja Católica, sem dúvida, é uma delas, e, talvez o jogo do bicho. E olha que o Flamengo não promete a vida eterna e nem o enriquecimento fácil. Ao contrário, às vezes mata de enfarte e, quase sempre, só dá despesa. Mas uma coisa ele tem em comum com a religião e o bicho: a Fé! Por onde vai, o Rubro-Negro arrasta multidões fanatizadas. Há quem morra com o seu nome gravado no coração, a ponta de canivete. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, no Flamengo venta, chove, troveja, relampeja. Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante ou por um dia." (Nelson Rodrigues)
750 milhões de reais em
dívidas! 212 milhões de reais anual em receitas! Cerca de 550 ações trabalhistas!
Ameaça de exclusão do Ato Trabalhista e da Timemania por inadimplência!
Ausência de patrocínio máster na camisa! Sem um CT com estrutura ideal para se
trabalhar ou cuidar de seus atletas! Ausência de certificado de clube formador!
Esportes olímpicos com déficit anual de 17 milhões de reais!
Pois bem, esse o cenário
encontrado no Flamengo pelo presidente Bandeira de Mello e
toda sua equipe, em janeiro de 2013.
Três anos se passaram desde
então e as coisas ainda não mudaram como o torcedor mais apaixonado gostaria. Afinal, a ele importa “apenas” o resultado obtido dentro de campo. E esses três anos não foram dos melhores nesse aspecto.
Com exceção à improvável
conquista da Copa do Brasil de 2013, que garantiu participação na Libertadores
de 2014 (vergonhosa, diga-se de passagem), o futebol do clube da Gávea acumulou
fracassos tanto nos campeonatos disputados como nas contratações realizadas. O que provocou e provoca zoações dos rivais e, por consequência,
mina a paciência, principalmente, daqueles que deixam a emoção falar mais alto.
Porém, ao final do primeiro
mandato dessa tão falada, elogiada e premiada gestão, o que realmente mudou no
Flamengo, capaz de criar uma expectativa boa no seu torcedor? Qual o cenário
atual do clube? E por que se animar com o que está por vir?
Analisando os números
publicados e amplamente divulgados nos sites mais importantes de esporte, é
possível perceber que se o Flamengo não é hoje uma potência, está bem próximo
de se tornar. E a grande sacada dessa diretoria foi colocar o dedo na ferida.
Para arrumar o clube era necessário esquecer momentaneamente os investimentos
que deveriam ser feitos no futebol e, ainda por cima, tirar cada centavo
conseguido através dele para sanear dívidas. Absurdo? Os números mostram que
não.
Em dezembro de 2015 o Flamengo
divulgou um balanço de como o clube se encontrava, o que permite ver tamanha
discrepância e o quanto seus gestores estavam com a razão.
463 milhões de reais em
dívida (redução de 287 milhões). 350 milhões de reais em
receitas (aumento de 138 milhões). 60 ações trabalhistas (redução de 490 processos). Crédito
de alguns milhões de reais com o TRT como garantia de cumprimento ao Ato
Trabalhista. Esportes olímpicos autossustentáveis. Certificado de clube formador. Adesão ao
Profut. Programa de sócio-torcedor mais rentável do país com mais de 60 mil
sócios e uma receita anual superior a 30 milhões de reais. Patrocínio máster de
25 milhões de reais da Caixa e uma camisa avaliada em mais de 70 milhões de
reais (patrocinadores e fornecedor).
Certamente aquele mesmo torcedor apaixonado, citado anteriormente, ao ler o parágrafo acima dirá: “Beleza, esses números são legais, mas eu
quero é time bom! Quero título!”
Como rubro-negro, concordo. E por ser um torcedor mais razão que emoção
(pelo menos na maior parte do tempo), também discordo. Discordo por saber que o Flamengo precisaria
fazer um dia o que está fazendo agora.
Discordo por não querer o Flamengo um ano arrebentando e outro ameaçado
de rebaixamento. Discordo por acreditar que a conta das gestões anteriores chegaria e que foi muita sorte chegar para quem estava disposto a pagá-la. Mais do que recuperar o clube Flamengo, esses “caras”
vem recuperando o prestígio e a credibilidade do Flamengo.
Hoje, com o aumento das
receitas, com a dívida reduzida e controlada, com a diminuição de penhoras e parcelamentos a longo prazo, a diretoria finalmente começa a ter dinheiro em caixa para fazer os investimentos pretendidos, em especial no futebol. Aliás, esse é o projeto e a proposta para o
triênio 2016/2017/2018. Montar um time forte, além de reformar e modernizar o Ninho do Urubu.
E qual motivo eu teria para duvidar, diante do que
foram capazes de fazer durante os três primeiros anos?
Enfim, penso estar chegando
o momento em que o Flamengo será tão grande como acredita o seu mais apaixonado
torcedor. E se a razão dele, ainda que
em um único momento, superar a emoção, certamente conseguirá enxergar que essa “geração
do Bandeira” é a melhor que o clube já teve depois daquela “geração do Zico”.

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