("Na minha casa todo mundo é bamba, todo mundo bebe,
todo mundo samba." - Vascaíno Martinho da Vila)
Vasco
e Flamengo se enfrentarão no próximo domingo, em jogo válido pela quarta rodada
do Campeonato Carioca de 2016. Até aí tudo normal como acontece todos os anos. Correto?
Errado! Dessa vez o famoso e tradicional
clássico dos milhões deverá acontecer em São Januário, estádio do Vasco, em
razão, principalmente, da impossibilidade de se utilizar o Maracanã.
E
por que digo que “deverá” e não que “acontecerá” em São Januário? Simplesmente
porque meia dúzia de pessoas, que provavelmente nem irão ao jogo, resolveram
tumultuar ainda mais um campeonato que vem se autodestruindo, seja em parte
técnica, organizacional ou financeira.
Às vésperas
do jogo, marcado desde o dia 18 de janeiro do corrente ano, o Ministério
Público, forçado a agir pela imprensa que tenta minar ainda mais o campeonato, “lembrou”
que em 2011 foi celebrado um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta – com o
Vasco, impedindo a realização de clássicos regionais (neste caso, o próprio TAC traz a definição de que clássico regional
seria a partida envolvendo dois dos quatro clubes grandes do futebol carioca).
Aliás,
é importante destacar que o Vasco estava impedido de realizar clássicos em São
Januário apenas até o dia 31 de dezembro de 2011, conforme item 3.2 do TAC. A
previsão de validade do TAC até 31 de dezembro de 2016, como ventilada agora
pela mídia, não envolve obrigações do Vasco, mas sim do Município do Rio de
Janeiro e do COB – Comitê Olímpico Brasileiro – “com a modernização dos arredores do Estádio de São Januário para os
jogos olímpicos”, como previsto no item 3.4, do referido documento.
Agora,
alguém consegue me explicar como um TAC celebrado entre Ministério Público e
Vasco da Gama referente à utilização de São Januário para clássicos regionais,
tendo a CBF como anuente, prevê obras que seriam realizadas em área pública pelo
Município do Rio de Janeiro e pelo COB? Se isso tinha algum embasamento,
deveria, no mínimo, ter sido mencionado no termo para facilitar o entendimento.
Mas, enfim...
A
verdade é que, na minha humilde opinião, o Flamengo não quer jogar em São
Januário por questões de enfrentamento político e por ter a certeza de que é o
único local que enfrentaria o Vasco em um ambiente totalmente desfavorável. E
francamente, detesto essas manobras políticas para se obter vantagens no
futebol. Algumas medidas e decisões que ultrapassam a fronteira do razoável, só
fazem os cidadãos comuns questionarem ainda mais se há ou não “alguma coisa por
trás” do nosso amado e violento esporte bretão.
Para
reforçar ainda mais o meu descontentamento com essa possibilidade de não haver
o jogo pelo tal TAC, o comandante do GEPE – Grupamento Especial de Policiamento
em Estádio – veio a público informar que todas as exigências feitas pela
Polícia Militar em relação a São Januário foram atendidas. Nesse mesmo sentido, há informação de que o
Corpo de Bombeiros teria liberado a realização da partida. A FERJ, responsável
pelo campeonato, vistoriou o estádio e não apresentou qualquer exigência (ok, os “do contra” dirão que a FERJ é
parceira política do Vasco... mas e daí? Não é ela que organiza o campeonato?
Então é ela que tem que vistoriar e decidir). Diante dessas situações e, principalmente,
desses laudos de aprovação o que mais poderia “exigir” o Ministério Público”?
Voltando
à questão do acesso a São Januário, que dizem ser muito ruim pelo fato das ruas
serem estreitas, sou obrigado a afirmar que estão querendo exigir do Vasco,
agora, o que nem o Estado do Rio de janeiro conseguiu recentemente ao construir
o Estádio Nilton Santos (Engenhão): melhorar o acesso nos arredores do estádio.
Com todo respeito às opiniões contrárias, quem reclama de acesso a estádio não
foi a nenhum outro país a fora. Eu mesmo
já estive em alguns e como torcedor apaixonado já li sobre muitos outros. Nem
mesmo as novas arenas recebem tal elogio quando se trata de acesso, conforto e
segurança às torcidas visitantes. Vila Belmiro, Barradão, Arena da Baixada,
Moisés Lucareli, Arena Corinthians e Allianz Parque são apenas alguns exemplos
constantemente citados pela mídia e por torcedores. Uma pesquisa rápida
comprovará o que estou dizendo.
Sem
maiores delongas desnecessárias, a verdade é que o Vasco tem uma casa. Um estádio
tradicional, de grande porte, palco de inúmeros jogos mais importantes e
significativos do que este do próximo domingo, utilizado, inclusive, pela tetra campeã
Itália para treinamentos durante a copa do mundo de 2014... Torcer o nariz para
isso é desrespeitar não apenas a Instituição e sua história, mas o próprio
direito do Vasco como mandante da partida por querer jogar em seu estádio.
Falo
de direito por ter sido um termo constantemente utilizado para defender os “torcedores”
do Flamengo que querem ir ao jogo. Pois é, se existem direitos, eles devem ser
resguardados, mas desde que os de todos e para todos. Essa história de aos amigos
tudo e aos inimigos a lei, tem que ter cada vez menos espaço se pretendemos
evoluir como sociedade.

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