quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A LIGA DA (IN) JUSTIÇA

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Sou da chamada Geração Y, conectada, que chama carrocinha de cachorro quente de food truck e pode ser sintetizada como "gourmetizada". 
No futebol, não é diferente. Era inadmissível que nossos estádios não tivessem o "Padrão FIFA". Com isso, construímos com o habitual superfaturamento brasileiro, arenas para inglês nenhum colocar defeito. E até as lotamos durante a Copa do Mundo, com muitos torcedores de ocasião, preocupados apenas em realizarem uma boa "selfie".
Em relação ao Maracanã, a Concessão foi entregue para um Consórcio capitaneado por uma empresa que realizava negócios suspeitos com o Estado do Rio de Janeiro. 
Desta forma, a mídia e torcedores da sonora dupla da capital fluminense bradavam aos quatro ventos que no mundo atual, o costume e a tradição não tem vez, que ingresso não pode ser barato, afinal, um estádio desses não é para qualquer um.
Para tais dirigentes, a elitização é necessária, pois futebol virou negócio e entretenimento, em que a arrecadação está acima de tudo. Se no resto do mundo não existe isso, por qual razão precisa continuar com os campeonatos regionais aqui no Brasil?
Levando-se em conta tal raciocínio, o Campeonato Carioca deve acabar, pois é deficitário. E o Madureira? E o Bangu? E o América? E o Americano? ... Pela visão dos aclamados dirigentes da dupla Fla Flu, não importam.
Causa espanto, que desde 1985 a FERJ era gerida pelo Caixa D'água, que depois da sua morte foi entregue para Rubens Lopes. E até 2014, era gostoso ganhar roubado e se algum clube que não vestisse vermelho e preto reclamasse de prejuízo decorrente de arbitragem, a imprensa fazia crer que não passava de chororô. Bola em que somente um bandeira cego não enxergaria que entrou e impedimentos escandalosos não marcados eram coisas do futebol. 
No entanto, em 2015 o campeão mudou e de uma hora para outra, o título não prestava. Passaram a gritar pelos quatro ventos que era um campeonato vergonhoso e deveria acabar.
Até aí, faz parte. Esta não foi a primeira vez que o Flamengo boicotou o Campeonato Estadual. Mas, como se não bastasse, junto ao seu pai, se insurgiram e ameaçaram jogar com times reservas, priorizando uma Liga, chamada pela imprensa de "Liga da Justiça."
Fica a pergunta: Justiça para quem? O Flamengo está disposto a discutir com clubes a questão das cotas de TV, que gera um abismo espanholizado? Esses times participaram da reunião que decidiu a fórmula do Campeonato Carioca? Por fim: será que comprarão a briga com a FERJ ou somente farão barulho, que só servirá para desprestigiar ainda mais o Campeonato Carioca?
Resta clarividente, que a FERJ não é um exemplo de gestão e não pode receber mais do que os clubes. Tal fórmula com diversos times também deve ser mudada, tendo os pequenos que jogarem mais vezes durante o ano e somente depois enfrentarem os grandes.
Mas, para isso, precisa de alguém para pagar jogos que não terão lucro. Se os clubes grandes assumissem, se preocupariam com os pequenos?
Não sou especialista em marketing, porém não é difícil perceber que a paixão do brasileiro pelo futebol começa no Estadual, na brincadeira sadia com o torcedor do outro time. No dia em que acabarem com os Estaduais, o futebol deixará de ser a paixão nacional, principalmente se o processo de distanciar financeiramente Corinthians e Flamengo persistir.
Trocando em miúdos, se a dupla Fla-Flu quiser priorizar a tal Liga, que o faça e assuma os riscos. Só não podemos aceitar que os times acusados de serem os responsáveis pela queda da Portuguesa, que já tiveram escândalos com "papeletas amarelas", viradas de mesas e outras artimanhas, tentem colocar nas nossas cabeças que são os "guardiões da moral".
Trata-se de uma história sem mocinho, em que a dupla ao invés de brigar politicamente, boicota o produto do qual são peças fundamentais. Mais uma vez, não precisa entender de marketing para saber que todos saem perdendo. E ao invés de discutirmos o Campeonato, com as possíveis surpresas e os principais candidatos ao título, falamos de um torneio amistoso.
Aceito opinião contrária, principalmente de flamenguistas, pois estão de olho no próprio umbigo. 

PERSONAGEM DA SEMANA

E o personagem da semana é o promotor que foi o responsável pelo caso do rebaixamento da Portuguesa - SP, denunciado pelo Procurador Geral de Justiça de São Paulo, por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo informações da Folha de São Paulo, o mesmo é acusado de ter recebido R$ 428.000,00 para favorecer as Casas Bahia em supostos crimes contra o consumidor.
Claro que não se pode julgar e condenar sem fundamento, mas não é estranho o fato da imprensa sensacionalista carioca se posicionar o tempo inteiro pela legalidade da Liga e deixar passar em branco uma notícia dessa?  

5 comentários:

  1. O velho ditado prevalece: Só reclama quem tá fora da Panela

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  2. O velho ditado prevalece: Só reclama quem tá fora da Panela

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  3. Desabafo de um torcedor apaixonado, que sempre tem razão.

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  4. Desabafo de um torcedor apaixonado, que sempre tem razão.

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  5. Algumas questões tratadas realmente deixam evidente o clubismo presente. O futebol não é da CBF, das Federações ou dos clubes, mas sim dos torcedores, os quais deveriam ser os protagonistas e apoiar mudanças urgentes. "A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro." JFK

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