Maracanã.
Jogo do Flamengo. Seja com 10 ou com 50 mil pessoas, o canto de “o Maraca é nosso, há-há-hu-hu”, sempre
é entoado nas arquibancadas.
Tão
freqüente quanto o canto acima é a zoação dos torcedores rivais ao provocarem
os rubro-negros por não terem um estádio próprio.
A
verdade é que, tirando o lado passional, o torcedor de qualquer time sabe
perfeitamente que o Fla tem sim um estádio, e que ele é o Maracanã. Ou você é um daqueles “loucos” (no melhor
sentido da palavra), que consegue imaginar o Maracanã sem o Flamengo ou mesmo o
Flamengo sem o Maracanã?
Pois
bem, em meio às notícias veiculadas na imprensa nas últimas semanas, existe uma
que dá conta de que a Concessionária Maracanã – formada
pela empreiteira Odebrecht, que detém 95% dos ativos, e pela norte-americana
AEG,
que administra o estádio –, irá devolvê-lo nos próximos meses ao governo do
Estado do Rio de Janeiro. E estaria, inclusive, disposta a pagar a multa
prevista em contrato. Por outro lado, a administração do governo do Estado
demonstra não ter qualquer interesse em retomar o controle do estádio.
Diante desse imbróglio, eis que surge a maior
oportunidade do time da Gávea realizar um de seus maiores sonhos: assumir de uma
vez por todas o estádio, que há tempos o clube – leia-se torcedores, time e
diretoria –, já considera “seu”.
Então
o leitor pode estar se questionando sobre o elevado custo de manutenção do
estádio – principal causa de sua devolução. Correto? Pois também pensei o mesmo
e procurei analisar os dados divulgados pela Concessionária, referentes aos
anos de 2013 e 2014 (os de 2015 ainda não foram publicados), a fim de verificar
a viabilidade do estádio ser gerido pelo rubro negro carioca.
No balanço financeiro de 2013, segundo informações da própria Concessionária,
houve um prejuízo de R$ 48 milhões, enquanto que no exercício de 2014, o rombo
foi ainda maior, R$ 77,2 milhões. A considerar as notícias veiculadas na
imprensa sobre a intenção da Concessionária em devolver o estádio, é possível
imaginar que 2015 não tenha sido muito diferente dos anos anteriores.
Ainda segundo a Concessionária, o custo anual apenas para manutenção do
estádio supera os R$ 10 milhões, mas a despesa chega a ser multiplicada por
oito quando se incluem os gastos com serviços de segurança, equipamentos, água,
luz e outros, ou seja, algo em torno de R$ 80 milhões/ano. Certamente por isso
que o governo do Estado do Rio de Janeiro não cogita recebê-lo de volta.
Agora, ao analisar os números do Flamengo, também dos anos 2013 e 2014,
pode-se verificar que houve uma arrecadação de bilheteria de R$ 44 milhões e R$
40 milhões, respectivamente. Assim, ao levar em consideração que o Fla pode
arrecadar ainda mais com naming rights,
venda de camarotes e de espaços lounge,
venda/parceria nos bares do estádio, montagem de lojas e restaurantes fixos,
estacionamento, shows, visitação, publicidade e aluguel para jogos de maior
porte dos demais rivais – Vasco, Fluminense e Botafogo –, e tudo isso com a
possibilidade de ditar as “regras”, que hoje são definidas pela Concessionária
Maracanã, é possível notar que não se trata de blefe, quando a diretoria diz
estar preparada para assumir a gestão do estádio.
Apenas para ilustrar, a título de comparação, o Corinthians tenta vender
o naming rights do seu estádio em
Itaquera por R$ 400 milhões, por 20 anos de contrato, o que daria R$ 20 milhões
por ano. Chegou a negociar com a Hyundai
e posteriormente com a Ambev, mas por enquanto nenhum acordo foi fechado. Se levar em conta a visibilidade do Maracanã
– um dos pontos turísticos mais visitados do Rio de Janeiro, e a grandeza do
Flamengo – clube de maior torcida do país, difícil imaginar que encontraria
dificuldade para uma parceria nos mesmos moldes ou que os valores seriam
inferiores aos praticados na arena paulista.
Isso, claro, sem falar na possibilidade de explorar ainda mais e melhor
o estádio na captação de novos sócios-torcedores. Algo que já acontece com
Inter, Grêmio, Palmeiras e o próprio Corinthians, que utilizaram os seus
estádios para dar esse salto em seus programas de associados. Afinal, se 2014 o
Fla já arrecadou algo em torno de R$ 30,3 milhões com o seu programa de
sócio-torcedor, e em 2015, apesar de não ter os números oficiais, é bem
provável que esses valores sejam ainda maiores, graças ao crescimento no número
de sócios, a possibilidade de explorar o Maracanã seria uma arma bastante
poderosa nas mãos da atual diretoria.
Porém, se o mais pessimista rubro negro insistir que, ainda sim, pode
haver prejuízo ao gerir o estádio, faço o convite para uma análise rápida. Utilizando os mesmo números da Concessionária,
o Maracanã custa algo em torno de R$ 6,5 milhões por mês – despesa bruta. O
Fla, em 2013 e 2014, arrecadou em bilheteria algo em torno de R$ 3,3 milhões
por mês – renda bruta. A diferença representaria um “prejuízo” de
aproximadamente R$ 3,2 milhões por mês. Certo? Errado! Leve em consideração os
times do Flamengo nesses dois anos e a campanha desses times nos campeonatos
que disputaram (exceção para a fase final da Copa do Brasil de 2013); leve em
consideração que o Flamengo não recebe por publicidade no estádio e não pode
explorá-lo como fazem os clubes que possuem um; leve em consideração que a
concessionária fica com a maior fatia do bolo; e, por fim, leve em consideração
que o Fla, em jogo com mais de 50 mil pagantes, costuma atingir mais de R$ 2
milhões de bilheteria.
Em suma, na pior das hipóteses o Maraca custaria o salário de uma ou
duas grandes estrelas. Razoável? Bom investimento? Ótimo negócio? Sinceramente,
não sei se o lado torcedor está influenciando, mas seja qual for o ponto de
vista, sempre fico com a última opção.
Vou além, arrisco dizer que o Flamengo teria ainda mais retorno em
publicidade e maior visibilidade internacional caso essa empreitada se confirmasse.
Enfim, o sonho de todo flamenguista começa a ganhar contornos de
realidade. Você acredita ou é daqueles popularmente conhecidos como “o pior
cego”?

Acho super viável o Maracanã sendo administrado pelo Flamengo. Ao invés de despesa, seria mais uma fonte de receita para o clube. E aí não haveria mais discussão de quem é o Maraca.
ResponderExcluirAcho super viável o Maracanã sendo administrado pelo Flamengo. Ao invés de despesa, seria mais uma fonte de receita para o clube. E aí não haveria mais discussão de quem é o Maraca.
ResponderExcluirShow Jean! So p complementar, o Maraca eh o segundo destino turistico mais visitado na cidade, perdendo apenas para o Cristo Redentor.
ResponderExcluirRealmente não há como o Maracanã conviver sem a torcida do Flamengo, sua maior estrela. Os números deixam claro a viabilidade do negócio. Só não me empolgo muito com essa questão do naming rights, pois pelos padrões esportivos brasileiros, onde a imprensa adotou o padrão de não divulgá-los, por entender publicidade comercial, essa exploração comercial ainda não "vingou" como no resto do Mundo.
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