A HORA E A VEZ DOS ÁRBITROS
E o ano promete para o futebol. Se 2015 terminou de forma catastrófica para o esporte, com uma série de casos de corrupção envolvendo até o mais alto escalão da FIFA e de algumas confederações , inclusive com dirigentes afastados, banidos e presos, o presente ano parece trazer novos ares.
Após
o afastamento de J.Blatter, o também suíço Gianni Infantino venceu as eleições
para o cargo máximo da FIFA há pouco mais de uma semana , prometendo resgatar a
imagem da instituição e assim devolver
credibilidade à mesma. Nessa semana o mandatário anunciou algumas mudanças nas
regras e tal pacote é visto como o de maior impacto em toda história do esporte,
dentre elas , o uso do replay para
avaliar certos lances pré-definidos.
Que o futebol se tornou irreversivelmente
um produto de alto poder mercadológico não temos dúvida. Mesmo que visceralmente continue a ter a essência de qualquer esporte
, ou seja, competir e vencer, na prática vemos que não é só isso. Não com muita
dificuldade nos deparamos com torcedores discutindo números, renda,
público...enfim, lucro! É naturalmente aceito que se faça uma campanha até mediana,
desde que as finanças apresentem bons resultados. Definitivamente não nos interessamos só por
gols . Neste contexto, as regras do esporte
tido como o mais conservador do mundo, precisavam se harmonizar melhor
com as novas imposições por algo mais
maduro, profissional e autêntico.
E não só as cifras motivaram essas
mudanças. Soma-se a elas o fato de o jogo se encontrar num nível de intensidade
quase desumano. Fisicamente passamos a ter verdadeiros super atletas em campo.
E a tecnologia que produz tais atletas também age para criar bolas e gramados
cada vez mais rápidos , acelerando ainda mais as partidas. Além disso , algumas
orientações aos árbitros para que a bola
fique menos tempo parada acabaram por , definitivamente, desequilibrar essa
balança. Claro que os árbitros não
dariam conta . Seus erros se multiplicaram
e isto não abalou só a confiança dos torcedores , incomodou também os
negócios. Os resultados não mais poderiam estar atrelados a uma boa atuação do
homem do apito .
O replay que por tantos anos escancarou
os erros de arbitragem transformando-os em vilões, vai agora mudar de lado e
passará a auxiliá-los . O futebol se tornou maior que suas regras , e desta vez
as grandes mudanças são inevitáveis .
Como será?
O recurso será gerido por um assistente
fora de campo com acesso aos vídeos. Este poderá chamar a atenção do árbitro
para determinado lance que passar despercebido ou ser questionado pelo próprio
árbitro caso ocorra um lance duvidoso. Inicialmente
o recurso será utilizado em fase experimental a partir de 1º de junho deste ano
até ser incorporado definitivamente em 2
anos. Poderá ser utilizado em quatro
ocasiões: definir se foi gol, lances de expulsão , marcações de pênalti e
identificação de atletas. Em casos de impedimento, o recurso só poderá ser
utilizado caso o lance termine em gol. O Brasil está entre os países escolhidos
pela FIFA para testar essa nova tecnologia.

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