segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Memórias de Torcedor #1 - O ano era 1992 -

                      

O ano era 1992. Flamengo Pentacampeão Brasileiro

Eu tinha apenas 12 anos de idade mas já acompanhava futebol há muito tempo, afinal era rotina do final de semana acompanhar meu pai nos jogos que o time do Banerj fazia. Como torcedor do mais querido do Brasil também não perdia os jogos do meu Mengão, ainda que apenas da televisão.

Nessa época as vitórias valiam 2 pontos e o empate 1 ponto, assim o empate não era um resultado ruim para os times. De outro lado, o Campeonato Brasileiro era disputado no primeiro semestre e o estadual no segundo semestre. Sendo certo que no ano anterior o Flamengo havia se sagrado vencedor do Campeonato Carioca em cima do Fluminense (quebrando um jejum de 4 anos - o último carioca conquistado fora em 1986 -) com show de Júnior e início promissor dos jovens talentosos Zinho, Nélio, Paulo Nunes, Júnior Baiano e Marcelinho.

Voltando ao que interessa, o Campeonato Brasileiro de 1992, o qual tinha uma fase inicial em que 20 times se enfrentavam, resultando na classificação das 8 primeiras equipes, que se confrontariam em um quadrangular de dois grupos, dos quais os vencedores disputariam a final.

O Flamengo não começou bem o Campeonato, mas o relevante é que embalou na parte final, conseguindo 5 vitórias, 2 empates e 1 derrota. Contudo, mesmo assim, a classificação para a fase seguinte do Brasileiro somente foi sacramentada na última rodada. Necessitando da vitória para não depender de nenhum outro resultado ganhou do Internacional por 2 a 0 no Maracanã.

Lembro que no dia seguinte ao jogo meu pai chegou em casa com uma edição especial do Jornal dos Sports, o qual analisava todos os times que chegaram na fase decisiva da competição. Recordo também que a crítica esportiva deixou claro que o time do Flamengo tinha limitações, mas embalado por sua torcida poderia se superar. Dava destaque para Júnior no meio campo e o trio ofensivo, Nélio, Gaúcho e Júlio César (que havia sido contratado recentemente devido ao grande sucesso - junto com o atacante Valdeir "The Flash"- no Atlético/GO). De fato, no Grupo do Flamengo, Vasco e São Paulo tinham elencos superiores. 

Entretanto, a fusão entre a força da torcida e a superação dos nossos jogadores fez com que o time chegasse na última rodada do quadrangular decisivo dependendo de outro resultado para avançar à final (bem como todos os times tinham chance de classificação, o que tornava a rodada eletrizante). Ironia do destino é que precisava de ganhar e torcer para o Vasco derrotar o São Paulo (o que gerou uma onda de especulações dando conta de que o Vasco teria acordado entregar o jogo caso o Flamengo estivesse vencendo). Fato é que o Flamengo vencia o Santos por 2 a 0 no Maracanã, e a torcida Vascaína, em São Januário, começou a ficar desesperada com a classificação do rival, onde passou a pedir em coro que os jogadores entregassem o jogo. Todavia, o Vasco acabou vencendo o São Paulo por 3 a 0 e o Flamengo o Santos por 3 a 1.

A melhor parte, como sempre, fica para o final. Renato Gaúcho, estrela do Botafogo (que também se classificou para a disputa com um time muito forte, o qual, inclusive, havia liderado a competição por várias rodadas) fez uma aposta com o amigo Gaúcho - atacante do Flamengo - de pagar um churrasco e servir aquele que ganhasse a primeira partida do confronto. Resultado é que o Flamengo jogou como nunca, regido pelo maestro Júnior e aplicou uma goleada de 3 a 0 no rival. Lembro-me bem do controverso lateral-esquerdo Piá dar duas assistências naquele jogo. A primeira para Júnior abrir o placar, depois de um corta luz de Gaúcho, a segunda em um cruzamento para Gaúcho fazer de cabeça o terceiro gol (ainda no primeiro tempo). O segundo gol foi feito por Nélio entre as pernas do goleiro Ricardo Cruz, após concluir lançamento de Fabinho. Com o placar elástico seria muito difícil para o Botafogo reverter no segundo jogo. Soma-se ao fato a controversa reportagem exibindo Renato Gaúcho pagando a aposta ao amigo Gaúcho, o que resultou no seu afastamento pelo Botafogo do derradeiro jogo. Por fim, na última partida Júnior cobra falta com maestria e abre o placar, saindo comemorando efusivamente, pulando e rodando os braços por todo o campo, cena que é a marca registrada do título. O Maracanã explode de emoção, que aumenta ainda mais com outra assistência de Piá para Julio César fazer 2 a 0. Campeonato decidido e a torcida comemorando o título, lembro de ir para a Rua Direita me juntar à nação. Não deu tempo nem de ver os dois gols do Botafogo, mas que não valiam de nada, diante do Pentacampeonato Brasileiro.

Quem se recorda? Conte também sua lembrança.

3 comentários:

  1. Lembro muito bem dessa final. Eu estava em Cuiabá e imaginei, vou ver esse jogo sozinho...
    Mas para minha alegria, a maior torcida de lá era a do Flamengo e comemorei muito como se fosse no Rio de Janeiro.

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  2. Tambem vi essas finais em Miracema, os dois jogos no "Bebeto", onde hj esta a Miragas. Emocionante, principalmente pelo descredito q acompanhou o time por todo o campeonato. Ver Junior reger o time ao titulo foi sensacional!

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