sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Dejà Vu




Zona do Caos 

Em meio a toda essa confusão que assola as Laranjeiras, nessa última semana mais uma deficiência do nosso tricolor ficou escancarada: a falta de um Centro de Treinamento.  E não digo só em qualidade, mas isolado da sede social do clube, no típico padrão europeu.

Não sou daqueles que batem palma para tudo que se pratica na Europa, mas em se tratando de futebol e, mais especificamente, profissionalismo, tiro meu chapéu. Se não sabem, por lá torcedores não possuem acesso aos treinos de seu time. O CT é fechado tanto para torcida como para jornalistas, salvo raras exceções. E apesar da Europa ser referência nesse quesito, não se faz necessário treze horas de vôo para essa constatação.  Basta uma ponte aérea de quarenta minutos para São Paulo e verá toda essa “privacidade” no CT Joaquim Brava, do Corinthians.  Ou você tem ouvido falar que o referido CT foi invadido por torcedores? Detalhe, até “ontem”, isso era algo corriqueiro no dia a dia do atual líder do Brasileirão.

Mas, enfim, enquanto não temos o tão sonhado CT, o que fazer para melhorar esse “time”? O que fazer para catar os cacos do destroço e levantar a cabeça?

Na última rodada, mais uma vez saímos de campo derrotados de forma vexatória, em pleno Maraca e diante da nossa torcida. Para que ninguém perca as contas, já são incríveis nove derrotas nos últimos quatorze jogos.  Apenas para ilustrar, trata-se da pior campanha do returno do Brasileirão. Retrospecto digno de time que figura na tão temida zona do rebaixamento ou que está fazendo por onde para figurar.

Diante de tantas peripécias que antecederam o jogo de quarta passada, só amantes do UFC ou do bom WWE para acreditar que socos e pontapés são suficientes para mudar a cara de um time. Em que mundo vivem esses vândalos? Preciso responder? Seria exagero compará-los a marginais? Por que jogar lata de bebida e agredir jogadores no aeroporto? Ou invadir treino e sala da diretoria, pichar e depredar o patrimônio do clube? Sinceramente, sou capaz de afirmar com propriedade que torcedor de verdade jamais faria isso.

Sei que esses “bandidinhos” não escutam ninguém, mas se quiserem uma sugestão, esgotem os ingressos do próximo jogo e lotem o Maracanã. Vaiem, chamem o time inteiro de mercenário e de pipoqueiro, a diretoria de burra e incompetente. Xinguem, gritem, esperneiem, pois apoiar e criticar é o verdadeiro papel da torcida. Mas, por favor, mas não venham colocar a integridade física e moral de pais de família em risco. Caso não goste dessa sugestão, tenho outra, organizem um movimento para não ir ninguém ao próximo jogo no Maraca.  Isso mesmo, nenhuma pessoa, para mostrar a esse bando que eles não merecem a torcida de um tricolor sequer. Enfim, se conselho fosse bom...

Tricolor, nossa torcida é linda, muito maior e melhor que tudo isso. Já provamos para todo mundo do que somos capazes em termos de festa e de apoio ao time. Então, ainda que concorde com sua indignação, não se deixe levar emocionalmente pelo desempenho dos últimos jogos; pela irresponsável manutenção do Enderson; pela falta de comando da diretoria; pelo fato da nossa zaga ser horrorosa; pela falta de planejamento nas contratações de R10 Wellington Paulista, Pierre, Oswaldo, Magnata e, por último, Jhonatam; pelo desempenho (ou falta dele) do Gerson; pela venda do Kennedy; etc.

Mesmo diante de tantas bizarrices, nada justifica a prática de nenhum tipo de violência. Nossa sociedade não pode tolerar atitudes similares.  Passou da hora de darmos um basta! Afinal, é público e notório que essas atitudes só servem para atrapalhar, desestabilizar e tumultuar qualquer ambiente. Esse tipo de pressão sobrecarrega e intimida qualquer pessoa e com os jogadores de futebol é a mesma coisa.  Situação completamente diferente ocorreu nas vezes em que o time foi abraçado pela torcida, por sinal, em momentos mais delicados e conturbados do que o atual, apelidando-o de “time de Guerreiros”. Por que não se utilizar de exemplos que contribuíram positivamente em um dado momento na história do clube?

No último jogo, o que presenciamos foi um time atordoado em campo, desestabilizado emocionalmente, onde mesmo não fazendo um primeiro tempo de encher os olhos, conseguiu neutralizar as principais jogadas do adversário e ainda ser premiado com um gol no final. Na volta do intervalo, um pênalti duvidoso a favor para guardar e correr para o abraço. Correto?  Errado! O que poderia ser o marco de uma retomada tornou-se o estopim de uma derradeira crise.

E o pior é que surge aquela estranha sensação, por conta de uma simples lembrança de algo que aconteceu rapidamente e que fica armazenada na memória de longo prazo, sem passar pela memória imediata, ou seja, uma lembrança de algo que você "não presenciou" e, ao presenciar “novamente”, você acredita já ter vivenciado aquele fato.  Então, tenho exatamente essa sensação ao “rever” este momento do Flu. A expressão usada para definir isso é “já visto” ou, se preferir, “Dejà Vu”.

2 comentários:

  1. Tirando algumas opinioes que questiono, como a privacidade de um ct em regiao isolada (mesmo nas laranjeiras o clube pode isolar socios e nao dar acesso a nao socios. No CT do corinthians houve invasao tao grave q influenciou inclusive a saida de Pato, Sheik e Guerrero - este foi pego pelo pescoço por um "torcedor"), texto muito bom. Mais uma vez vc consegue aliar emocao e razao. Parabens!

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  2. Registrando aqui o que já havia dito pessoalmente, ótimo post!

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