segunda-feira, 24 de agosto de 2015

E eu sou sincero...

“ E eu sou sincero...”






 Quando imaginaria ver uma cena dessas no futebol, principalmente brasileiro, onde todos são burocráticos, é um pecado assumir que o outro time, ou melhor, que o adversário é melhor preparado, ou que possui um time melhor ajustado do que o seu, ou simplesmente o adversário é superior “ponto”.

 Ontem, dia 23 de agosto de 2015, por volta das 20:45 em uma coletiva de imprensa pós-jogo, a jornalista do canal “Sportv”, pede licença, cumprimenta o técnico e pergunta, “primeiro gostaria de parabenizar pela vitória, é apenas uma coincidência o fato do Atlético Mineiro só ter perdido os quatro jogos em que o Lucas Pratto não marcou gols, e que em todos as partidas que o atacante argentino balançou as redes, o time Atleticano não foi superado por seus adversários”, ela ainda reitera “... é uma coincidência, o que falar do Lucas Pratto?”

 O jovem veterano Levir Culpi, com sua calma e simplicidade unida a sua sinceridade, responde de uma forma no mínimo inusitada. “...acho que só uma coincidência, acredito que não pode ser outra coisa, é só coincidência”. Acredito que nosso ilustre Levir só respondeu dessa forma, por não ter tido tempo de ler minha humilde coluna postada aqui nesse mesmo blog na semana passada, sobre o “cone”. Porque esse tal de Lucas Pratto é um cone, tipo importado, daqueles que parece que gosta mesmo é de guardar vaga de carros de luxo, estou achando mesmo que o bom futebol é feito por cones e mais, mas vamos deixar essa novela para uma outra hora.

 Mas o que me intrigou mesmo foi quando o técnico atleticano, pediu licença e disse: “... gostaria de fazer um elogio, elogiar o Donizete, o Leandro Donizete, na verdade não gosto do futebol dele, meio “caneludo” o técnico do galo então dá uma risada, toma fôlego e continua, "não gosto, olha hoje ele jogou bola, deu caneta, chapelou, tomou a bola, virou a bola de um lado para o outro, desafogou o meio, hoje ele jogou. É muito mais fácil fazer um jogador técnico marcar, do que fazer um marcador jogar bola..."
Que sinceridade do técnico alvinegro, sincero no mínimo com o que pensa, com suas convicções, porque o Donizete é o pulmão do seu time, incansável em campo, corre o tempo todo, desarma, briga, inflama os companheiros, carrega o piano nas costa, não o acho "caneludo", mas também assumo que sua técnica não é tão elegante. Acredito que seria titular absoluto em quase todos os 20 times do brasileirão.

 Realmente não me lembro de um técnico fazer tal feito de forma tal inteligente e educada, sem expor seu jogador. Só poderia ser feito pelo jovem veterano Culpi, jovem devido ao seu estilo forte e destemido de atacar seus adversários e veterano por ter tranquilidade de colocar em campo, aquilo que ele acredita, sem sofrer influência da pressão pela vitória, ele quer que seu time jogue bola.

 Como diz Lulu Santos em sua canção, "Você não pode me odiar, só porque eu falei a verdade, pior seria te iludir o tempo todo, não vejo vantagem, ... Porque eu sou sincero". Levir parabéns pela sinceridade e por nos proporcionar uma coletiva diferente e Donizete, assim como o Lucas Pratto que parece guardar vagas de carrões importados, você carrega piano sim, mas é um Yamaha.

   

8 comentários:

  1. As metáforas sempre são boas formas de comunicação. O Levir dispensa palavras. É muito sagaz e conseguiu impor um conceito novo no futebol brasileiro, onde os meias de criação e atacantes voltam para compor a compactação do time. Todavia, volante por volante sou mais o Rafael Carioca, que é um dos destaques da competição.

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  2. Acho o Levir hoje, um dos melhores treinadores de futebol, e como dizem por fora das quatro linhas, é companheiro, educado e responsável...

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  3. Muito bom Pedrão! So faltou o papo dele mostrando a diiferenca no vocabulario entre jogadores jaooneses e brasileiros. Imperdivel kkkk um dia vamos entrevistar essa figura!

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    1. Essa é boa mesmo Álvaro... Kkk
      Seria uma honra nossa entrevistar um cara como ele.

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  4. Desse jeito vai virar blogueiro da globo.com. hahaha
    Parabéns Pedrao, por mais um post.

    Reparado sempre as entrevistas de Levir e gosto muito, pois sempre coloca os pés no chão,ou melhor, fixam-os para em nenhum momento sair.

    Não vejo superioridade técnica do Galo para o Fluminense, as diferenças são vontade de ganhar e a torcida que sempre abraça o time o jogo todo.

    Lucas Pratto é um cone de novo,daqueles que ainda não foi tocado.

    ST

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  5. Gosto muito quando uma entrevista de pessoas do futebol foge da mesmice. O Levir é muito bom e ao contrário do Muricy (que também fugia um pouco), parece um cara de bem com a vida.

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  6. Além de achar o Levir um ótimo técnico, sempre gostei das entrevistas dele. É simples, objetivo e educado.

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  7. Pedrão, muito bom o texto. Levir é o ponto fora da curva dentre os treinadores que atuam hoje, no futebol brasileiro. Também vi tal entrevista e tive conclusões bem parecidas com as suas. Talvez, a grande diferença é que eu não conseguiria transmitir esses pontos de vista tão bem como você em seu post. Parabéns!

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