Assim que Muricy assumiu o time do Flamengo, conjuntamente com uma série de reforços e um badalado estágio no Barcelona, a imprensa e vários torcedores propagaram que o Flamengo voltaria a ter uma equipe que buscasse o gol e jogasse ofensivamente. Imediatamente fizeram comparações com o futebol apresentado pelo seu esquadrão campeão da década de 80.
Todavia, me parece que erraram feio na busca da principal característica rubro-negra. Há muito tempo que a entrega e a raça são as inspirações para os seus torcedores. Não à toa que a principal torcida do clube traz o símbolo em seu nome ("Raça"), da mesma forma que quando o time vai mal a primeira cobrança é entoada sob os pedidos de "queremos raça..."
Até o maior craque e ídolo do clube, que tinha muita técnica, nunca deixou de demonstrar publicamente o seu comprometimento e entrega, seja quando era o primeiro a chegar e último a sair dos treinos, quando jogava com infiltrações ou sempre lutava, com garra, pela vitória até o último minuto.
Essa "alquimia" demonstrada pela vontade sempre gerou um clima de euforia na torcida, provocando reciprocidade entre os jogadores, que acabam utilizando de todas energias possíveis para superarem os desafios, assim que o Flamengo construiu sua "fama" de time de chegada.
Portanto, mesmo que o Flamengo não se apresente bem tecnicamente a torcida nunca perdoou um time sem raça. Jayme de Oliveira, já sabendo dessa característica, conseguiu resgatá-la em um time desacredito e assim ser Campeão da Copa do Brasil em 2013. Mais do que nunca esses jogadores precisam colocar a bunda no chão e disputar todas as jogadas, porque tecnicamente o time ainda não se encontrou.

Nenhum comentário:
Postar um comentário